faz frio no verão
o lençol parece menor do que ontem
para um lado
para o outro
de bruços
lembro do meu sonho?
canso da penumbra do quarto
me levanto
tomo água
o dia ainda não quer acordar
nem eu
faz frio no verão
o lençol parece menor do que ontem
para um lado
para o outro
de bruços
lembro do meu sonho?
canso da penumbra do quarto
me levanto
tomo água
o dia ainda não quer acordar
nem eu
um mais perto que o outro
não se conheciam
nós os conhecíamos
um de perto
outro de longe
no último dia que te encontrei
passei a mão nos seus cabelos
dei um beijo na sua bochecha
você já não dizia muita coisa.
quando me despedi dela
não sabia.
disse um
até mais
despretensioso
que seria o último
dois corpos se despediram
um, com até mais
outro, com até algum dia
água arisca
respingo
depois acalma
insistente
um vai e vem
sentada
vendo de longe
me silencio
pessoas que passaram
não voltaram mais.
– talvez estejam por aí –
as árvores são maiores
fortes
raízes altas
tropeço
dois passarinhos
– um casal –
agora cuidam de três ovinhos
aqui o novo chega e toma forma.
pólos, póros
fechados, abscessos
absence
manhã de domingo:
doce.
salgado, amargo:
um copo trincado.
uma mancha
encolhido
sozinho.
ei você, olha pra mim?
água
ração
nem se mexeu
abriu um só olho
é cego.
continuou ali.
peludo,
molhado,
e tremendo de frio.
louro em folhas
mirtilo
flor de sal
pecã
nozes, pecã.
posso provar?
sim, prova.
queria um pouquinho.
mínimo 100 gramas.
me vê 100, então.
– e saio com um saco cheio –
atravessando as nuvens
– quem dera fosse algodão –
um azul quis aparecer
um galo me recepcionar.
arbustos perdidos de limão-cravo
num frio úmido
um lugar caloroso.
tempos de veludo. vontade cotelê.
polaina.
de manhã sou acolhida,
com ar de edredom.
de dia, gola rolê.
um corpo pendendo
entre duas esquinas
nos pés, havaianas.
sempre de camisa.
o rosto anestesiado.
nas mãos, um copo.
um líquido transparente.